Um pouco de... O Tango de Rashevski

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Meu primeiro evento cultural depois da minha mudança pra São Paulo. Tirando o frio de sempre e as preocupações em torno da minha transferência para a cidade da garoa, posso considerar positivo este novo momento da minha vida.

Resolvi pegar um cineminha, pra aproveitar os últimos instantes das minhas “férias” e optei por assistir este filme que se trata de um romance envolvendo os costumes judaicos. Na verdade, depois que a matriarca da família morre, todos os preceitos judaicos caem em desuso e todos ficam sem saber o que seguir efetivamente, mas no fundo existe ainda a fé judaica no cerne da família.

O que me chamou a atenção neste filme foi a possibilidade de perceber as diferenças de culturas, tradições, religiões e como elas são tratadas com o objetivo de unir as pessoas.

Com uma pitada de humor e romantismo os personagens vivem momentos interessantes na busca por uma coerência de vida com a religião, mas aprendem que em alguns instantes temos que buscar uma adaptação das nossas convicções pessoais, uma alternativa para superar dificuldades e como a matriarca era admiradora do tango – a dança de origem argentina – os personagens centrais buscavam no dançar uma forma de se defender das situações não-convencionais que acontecem em todas as famílias.Para quem tem interesse em assistir um filme diferente e conhecer um pouco mais das tradições judaicas, eu recomendo.

 

Direção: Sam Garbarski

Elenco: Hippolyte Girardot, Ludmila Mikaël, Michel Jonasz, Daniel Mesguich, Natan Cogan, Jonathan Zaccaï.

Onde? Cinemark Patio Higienópolis – São Paulo. 

 

Abraços,

Rodrigo.

quarta 05 setembro 2007 12:44


Um pouco de... Luiz Melodia

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O rei do samba

(Miguel Lima / Arino Nunes)

Eu sei que não sou majestade

Não tenho, nem quero coroa

Eu quero é cantar na cidade

Eu quero é sambar na Gambôa

 

Às margens da Lagoa Rodrigo de Freitas, em mais um dia ensolarado, no qual o céu azul e límpido evidencia as maravilhas do Rio de Janeiro, estive num encontro na Casa do Saber – um espaço dedicado ao pensamento, com cursos livres e debates – onde o selo Biscoito Fino proporcionou este bate-papo com Luiz Melodia. Uma tarde mais carioca, impossível. Este negrinho maravilhoso, com composições fantásticas – como definiu o majestoso poeta Torquato Neto – nos fez rir, e nos emocionou com sua voz típica e brasileira.

Luiz Melodia falou sobre seu mais novo trabalho, o CD “Estação melodia” produzido por Humberto Araújo que buscou segundo ele, o máximo de originalidade, sem firulas ou exageros, resgatar composições antigas que ele definiu como uma “bênção”.

Com simplicidade e simpatia, este grande compositor carioca e “cria” do São Carlos – Morro do Estácio – Bairro da zona norte do Rio, lugar de influência, que o fez dar as “primeiras canetadas”, contou que desde pequeno gostava de jogar futebol, mas a grande paixão era a música. No rádio onde escutava Bolero, músicas cubanas, jovem-guarda e os Beatles ou nas serestas que aconteciam no Clube Sede, onde ele ficava no lado de fora escutando os mais velhos cantar, buscou inspiração e referência para estruturar sua atitude musical. Luiz Melodia contou que seu pai – o compositor Oswaldo Melodia que é homenageado no CD junto com Wally Salomão, que afirmou “sentir saudades sempre” – não queria que o filho seguisse a carreira artística, devido ao baixo retorno e recompensa. E fez uma revelação arrancando risos da platéia: “Se seguisse os conselhos do meu pai, certamente hoje seria um Zoólogo. Sempre tive ligação com bichos!”.

Dia 30 de agosto – no Canecão – Luiz Melodia apresenta e lança este maravilhoso trabalho que em sua essência busca nas composições as lembranças, e homenageia aqueles que de alguma forma tiveram influência em sua carreira. Dentre os compositores, está Ismael Silva, considerado por Luiz como uma “Relíquia de compositor”, Geraldo Pereira e o mestre Jamelão. Um ponto alto do CD, é a música “Choro de passarinho” (Renato Piau, Euclides Amaral e Rubens Cardoso), onde Luiz Melodia canta com a participação de Jane Reis – sua companheira, chamada por ele de “Pássaro que canta” –

E que na hora de dormir o ajudou a lembrar das músicas que hoje formam o disco.

Gal Costa, Maria Bethânia, Zizi Possi e Cássia Eller, são um dos principais nomes que já gravaram suas composições e segundo ele, existem de 8 a 10 músicas “por fazer”, na gaveta.

Diante de todo este trabalho, não há como deixar de coroar mais esta majestade da cultura brasileira.

 

Abraços,

Rodrigo.

quarta 15 agosto 2007 15:46


Um pouco de... Caetano!

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Outras palavras - Caetano

 

Nada dessa cica de palavra triste em mim na boca
Travo, trava mãe e papai, alma buena, dicha louca
Neca desse sono de nunca jamais nem never more
Sim, dizer que sim pra Cilu, pra Dedé, pra Dadi e Dó
Crista do desejo o destino deslinda-se em beleza:
Outras palavras
Tudo seu azul, tudo céu, tudo azul e furta-cor
Tudo meu amor, tudo mel, tudo amor e ouro e sol
Na televisão, na palavra, no átimo, no chão
Quero essa mulher solamente pra mim, mais, muito mais
Rima, pra que faz tanto, mas tudo dor, amor e gozo:
Outras palavras
Nem vem que não tem, vem que tem coração, tamanho trem
Como na palavra, palavra, a palavra estou em mim
E fora de mim
Quando você parece que não dá
Você diz que diz em silêncio o que eu não desejo ouvir
Tem me feito muito infeliz mas agora minha filha:
Outras palavras
Quase João, Gil, Ben, muito bem mas barroco como eu
Cérebro, máquina, palavras, sentidos, corações
Hiperestesia, Buarque, voilá, tu sais de cor
Tinjo-me romântico mas sou vadio computador
Só que sofri tanto que grita porém daqui pra a frente:
Outras palavras
Parafins, gatins, alphaluz, sexonhei da guerrapaz
Ouraxé, palávoras, driz, okê, cris, espacial
Projeitinho, imanso, ciumortevida, vivavid
Lambetelho, frúturo, orgasmaravalha-me Logun
Homenina nel paraís de felicidadania:
Outras palavras

quinta 09 agosto 2007 00:40


Terapia do riso!

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Dizem que rir é o melhor remédio. Outros falam que rir faz você gesticular com os músculos da face retardando as tão indesejadas rugas. Comentam que um sorriso é uma linha curva que faz com que tudo se endireite. É, pode ser. E estou cada vez mais convencido dessas afirmações depois de assistir, por acaso (assim é sempre melhor, não é mesmo Léo? rs), a peça teatral Terapia do riso. Com uma série de esquetes, três atores se revezam em histórias contadas como se estivessem numa terapia. Com muito humor e talento, viajamos nos contos e passei a refletir na importância do riso em nossas vidas. Como uma gargalhada “bem dada” nos faz sentir melhor não é mesmo? Eu cresci num ambiente assim. Minha mãe tem uma gargalhada de dar inveja muitas vezes! Sabe aquelas risadas que você ri sem saber o motivo? Pois é, minha mãe é assim. E aprendi desde pequeno a valorizar as pequenas coisas. Problemas todo mundo têm, a questão é saber lidar com eles e não deixar que eles se evidenciem em nossa personalidade. Vivemos num ambiente de muita informação, de correria, de maldade, de tristeza... E não podemos deixar que nossos problemas passem e se adicionem no ambiente em que vivemos. Pode estar difícil pra burro, mas a busca da felicidade ajuda, e muito.

Precisamos correr atrás de coisas que nos façam bem, que nos façam sorrir e assim contagiar o ambiente no qual estamos inseridos.

Super recomendo a peça Terapia do riso...Não posso passar detalhes, mas com um toque de interatividade e humor inteligente, os autores dão o seu recado.

 

Onde está rolando:

Teatro Miguel Falabella - Quinta a sábado, às 21h e domingo às 20h - Até 30 de setembro!

 

Abraços, Rodrigo.

 

segunda 06 agosto 2007 01:38


Um pouco de..."Muito longe de casa" Ishmael Beah

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"Íamos atacar uma cidadezinha que tinha munição e comida. Assim que saímos do cafezal, demos de cara com um grupo armado num campo de futebol vizinho às ruínas do que um dia havia sido uma aldeia. Abrimos fogo até que o último ser vivo do outro grupo caiu no chão. Andamos até os corpos, batendo uns nas mãos dos outros em comemoração. O grupo também era de meninos bem novos, como nós, mas não nos importamos com eles. Pegamos sua munição, sentamos sobre os corpos e começamos a comer a comida que eles levavam. Ao nosso redor, sangue fresco vazava através dos buracos de bala em seus corpos.

Levantei do chão, molhei uma toalha branca com um copo d'água e a amarrei em volta da cabeça. Eu estava com medo de dormir, mas ficar acordado também me trazia lembranças dolorosas. Lembranças das quais às vezes eu gostaria de me livrar, apesar de saber que são uma parte importante do que é minha vida, de quem sou agora".

 

São memórias de um menino-soldado, momentos que viveu em Serra Leoa.

 

Abraços,

Rodrigo.

 

quarta 01 agosto 2007 21:07


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